quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Ela, bicho mãe e seu filhote

Ela, bicho mãe e seu filhote.

Faz muito tempo que não escrevia, não quis escrever da gestação, porque afinal meu blog não era de grávida (bobagem minha).

Hoje, um ano e oito meses depois dele nascer, me deu uma vontade imensa de escrever sobre coisas que eu sinto desde que nos conhecemos, ainda dentro da barriga, ele com 7 mm e um coração que já batia forte, acompanhando o meu.

Não vou falar do quanto me senti plena, poderosa e especial com aquela barriga imensa, mergulhada em uma tempestade de hormônios, que me davam dias de anjo e outros de demônio  e nem do tom da madeira dos móveis do quarto ou da trama da cortina de linho que eu costurei que combina exatamente com o jogo de protetores de berço, que andei três feiras para encontrar.

Eu poderia escrever muitas e muitas linhas de agradecimentos a todas as pessoas conhecidas e desconhecidas que me ajudaram, com experiência, sorrisos, broncas, carinho, presentes, decepções, desprezo e  tanto amor.

Escreveria muitas e muitas linhas sobre toda a angústia das primeiras semanas depois da sua chegada, do leite que não vinha, dos peitos machucados,  de tantos  medos: de noites, de vomito, do frio, da chupeta, e também do alivio e sensação de vitória a cada quilo que ele engordou.

Hoje, como mãe Junior III, eu falaria de como passei pela dor de deixá-lo com três meses para  voltar para o meu trabalho, que eu encontrei inóspito me esfregando na cara nuances da minha mediocridade profissional, e me fez repensar e desesperar em tantos aspectos, por tantas vezes.

O que quero escrever é sobre ouvir o seu choro assim que ele nasceu,  da sensação de  sentir sua bochecha na minha, das vezes que parei para contemplar que eu tinha um bebê nos braços e pra sentir o amor que sempre existiu em mim e foi dele, e também do quanto é natural tê-lo na minha vida.

Escrevo para me lembrar do momento em que me olhei no espelho e percebi  que eu  tinha a sua cara e fazia uma careta como a dele... Sim eu parecia com ele.


Quero falar o quanto me sinto bem quando carrego esse menino encaixado no meu quadril e quanto vejo a nossa sombra com mãos dadas refletida no asfalto.

Preciso celebrar o quanto ele tem me curado todos os dias, com seu sorriso maior do mundo e seu cheirinho.


Esse texto é para compartilhar a alegria, paz e felicidade que tenho de ser bicho Mãe, com um filhote chamado Pedrinho.

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