Ela, bicho mãe e seu filhote.
Faz muito tempo que não escrevia, não quis escrever da
gestação, porque afinal meu blog não era de grávida (bobagem minha).
Hoje, um ano e oito meses depois dele nascer, me deu uma
vontade imensa de escrever sobre coisas que eu sinto desde que nos
conhecemos, ainda dentro da barriga, ele com 7 mm e um coração que já batia
forte, acompanhando o meu.
Não vou falar do quanto me senti plena, poderosa e especial
com aquela barriga imensa, mergulhada em uma tempestade de hormônios, que me
davam dias de anjo e outros de demônio e
nem do tom da madeira dos móveis do quarto ou da trama da cortina de linho que
eu costurei que combina exatamente com o jogo de protetores de berço, que andei
três feiras para encontrar.
Eu poderia escrever muitas e muitas linhas de agradecimentos
a todas as pessoas conhecidas e desconhecidas que me ajudaram, com experiência,
sorrisos, broncas, carinho, presentes, decepções, desprezo e tanto amor.
Escreveria muitas e muitas linhas sobre toda a angústia das
primeiras semanas depois da sua chegada, do leite que não vinha, dos peitos
machucados, de tantos medos: de noites, de vomito, do frio, da
chupeta, e também do alivio e sensação de vitória a cada quilo que ele engordou.
Hoje, como mãe Junior III, eu falaria de como passei pela
dor de deixá-lo com três meses para voltar para o meu trabalho, que eu encontrei
inóspito me esfregando na cara nuances da minha mediocridade profissional, e me
fez repensar e desesperar em tantos aspectos, por tantas vezes.
O que quero escrever é sobre ouvir o seu choro assim que ele
nasceu, da sensação de sentir sua bochecha na minha, das vezes que
parei para contemplar que eu tinha um bebê nos braços e pra sentir o amor que
sempre existiu em mim e foi dele, e também do quanto é natural tê-lo na minha
vida.
Escrevo para me lembrar do momento em que me olhei no
espelho e percebi que eu tinha a sua cara e fazia uma careta como a
dele... Sim eu parecia com ele.
Quero falar o quanto me sinto bem quando carrego esse menino
encaixado no meu quadril e quanto vejo a nossa sombra com mãos dadas refletida
no asfalto.
Preciso celebrar o quanto ele tem me curado todos os dias, com
seu sorriso maior do mundo e seu cheirinho.
Esse texto é para compartilhar a alegria, paz e felicidade
que tenho de ser bicho Mãe, com um filhote chamado Pedrinho.